
"Se há quase 20 anos os improvisos de Miles no trompete, na penumbra daquele film noir, já haviam me chamado a atenção, agora eles passaram para o primeiro plano.
Acompanhado de Barney Wilney, no sax tenor; René Urteger, no piano; Pierre Michelot, no contrabaixo; e Kenny Clarke, na bateria, o trompetista norte-americano, talvez sem o saber, estava fazendo História, com H maiúsculo, no cinema. A trilha de Ascensor... marca a primeira vez em que o jazz, um certo tipo de jazz, aquele que, poucos anos antes, já havia feito a transição do bebop para o cool, se casava perfeitamente bem com as imagens projetadas na tela. É como se aquele tipo de jazz tivesse sido criado especialmente para o film noir. E, revendo Ascensor..., eu consigo finalmente entender por que o bebop e o cool foram tão bem aceitos na França, a ponto de este país passar a ter uma identificação com o jazz como nenhum outro fora os EUA (e, ainda assim, fora certas áreas dos EUA, Nova York e Chicago inclusos).
Conciso e certeiro como sempre, Miles Davis é a atmosfera do filme, a melhor tradução do ritmo e do clima pretendidos por Malle e seu co-roteirista, Roger Nimier. Poucas vezes vi, em um filme, um casamento tão perfeito de imagem e som quanto na seqüência em que Jeanne Moreau perambula, à noite, pelas ruas de Paris, à procura de seu cúmplice e amante (Maurice Ronet). Enquanto la Moreau caminha, o trompete de Miles traduz, ao fundo, a sua agonia com um improviso frio, lento e profundo, apoiado por uma marcação sóbria e discreta de Clarke e Michelot. Sublime. (fonte:http://sparksjrs.blogspot.com/2007/05/magia-de-miles-davis-em-ascensor-para-o.html)"
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Miles_davis_-_Ascensor_para_o_cadafalso_MP3_320_Binaria.Cultura.rar
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